Estou sem idéias para colocar nesse blog, então vou escrever um dos textos que eu fiz na época que eu estagiava no cybergoias.com.Ainda penso que se meu trabalho tivesse sido mais valorizado lá eu não estaria tão à toa hoje, estaria era estagiando na minha área mesmo.Mas é assim, quando a gente se esforça pra caralho sempre tem alguém que não reconhece, ainda mais quando a pessoa é o próprio patrão. Aprendi muito, mas faltou aquele incentivo. E a propósito, o cybergoias não existe mais. E poderia ter dado certo, se houvesse mais força de vontade. 1. Seis filmes inigualáveis. Por Marina Dutra
Goiânia, 18 de maio de 2006.
Antes de tudo, saliento que não sou especialista em cinema, e não pretendo oferecer nesta lista os melhores filmes do mundo considerados pela crítica ou pelos cinéfilos.
Às vezes eu tento saber por que nos emocionamos tanto em um determinado filme e já em outros deixamos passar batido. E de tanto pensar sobre isso, resolvi enumerar seis filmes que não tem como deixar de comentar.
Vamos lá:
O Grande Ditador (1940 - Charles Chaplin)
Não há como negar que Charlis Chaplin é um gênio. Ator, escritor e diretor de seus filmes, Chaplin conseguia penetrar na alma dos acontecimentos atuais da época. Produzido em 1940, 13 anos após a estréia do som no Cinema, esse foi o primeiro filme falado de Carlitos.
A história se remete no meio da Segunda Guerra Mundial, onde os judeus estavam sendo esmagados pelo preconceito alemão. Chaplin interpreta os dois protagonistas da história: o ditador Adenoid Hynkel (em referência à Hitler) e o barbeiro judeu. Irônico e ousado, logo no início da projeção tem uma mensagem que diz que qualquer semelhança dos personagens com a realidade é mera coincidência. Duas cenas marcantes são a que Hynkel brinca com o globo do mundo. E outra cena engraçada é o discurso alemão, sendo que nenhuma palavra sequer pode ser entendida. Um filme que toca profundamente na cegueira das pessoas daquela época. Aconselho a todos.
O Mágico de Oz (1939 – Victor Fleming)
Engraçado notar que quando alguém me pede para indicar algum filme antigo, eu falo “O Mágico de Oz”. A pessoa fica assustada e logo diz que é filme para criança. Mas muitos se enganam, eu já fui.
Uma história que alcança qualquer idade, que encanta qualquer época. Cores, imagens, personagens, música, roteiro, tudo muito bem utilizados. O filme conta a história da menina Dorothy (Judy Garland), que após um tornado em Kansas, ela vai parar na fantástica Oz, onde as coisas são coloridas e mágicas. Mas o seu maior desejo é voltar para casa e, para isso ela tem que encontrar o mágico que lhe mostrará como realizar seu sonho. Nessa aventura, ela conhece o Espantalho, Homem de Lata, e o medroso Leão, onde todos seguem pelos tijolos amarelos.
O legal é saber que na época que o filme foi feito, os recursos tecnológicos eram escassos, mas felizmente ele conseguiu se tornar um clássico da sétima arte. E vale lembrar da lendária relação de sincronia entre o filme e o disco “The Dark Side Of The Moon”, do Pink Floyd.
Réquiem para um Sonho (2000 - Darren Aronofsky)
Perturbado. O filme prende a atenção do início ao fim. Drogas e sonhos são as principais temáticas de Darren. Ele trata de uma visão única das pessoas que são escravas de seus próprios sonhos, como por exemplo, a história deprimente do casal Harry Goldfarb e Marion Silver que tem como sonho montar um pequeno negócio, mas ambos são viciados em heroína. A mãe de Harry, é fanática em assistir programas de Tv, e quando recebe um convite para aparecer no seu show favorito, o "Tappy Tibbons Show", ela começa a ficar viciada em pílulas de emagrecimento.
O diretor conseguiu transmitir na tela as angústias e os vícios de cada personagem, tanto que o filme se tornou o reflexo mais perfeito da realidade de muitos viciados em qualquer tipo de droga.
Trilha sonora marcante e cortes de imagens bem feitas. Vale a pena se preparar para ver esse filme, que não poupa cenas provocantes e cruéis.
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001 – Jean Pierre Jeunet)
Muitos não entendem a badalação que gira em torno desse filme. O acham chato, meloso, e apenas “bonitinho”. Mas levando em consideração a idéia, o significado de algumas cenas, as cores contrastantes, e a atriz Audrey Tautou, o filme já merece nota dez.
A personagem Amélie (Audrey Tautou), adquire ao longo de suas ações uma nova visão de mundo, onde com pequenos gestos ela pode ajudar as pessoas que a rodeiam. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain consegue fascinar pelas suas narrativas interessantes, pelos gostos particulares de cada personagem, pelo humor sutil, dando uma visão de como tratar nossos cotidianos de uma forma mais detalhada e delicada.
Simplesmente carismático.
Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003 – Tim Burton)
Tim Burton conseguiu fazer um filme indescritível. Sombrio e misterioso, o diretor soube transformar cada história em uma lição de vida para todos. Equilibrando humor e sensibilidade, Peixe Grande narra as grandes aventuras de Ed Bloom (Albert Finney), que é um grande contador de histórias, que fascinam todos que as ouvem, exceto seu filho Will (Billy Crudup). A atuação de Ewan McGregor (Ed Bloom jovem) é perfeita, além da trilha sonora muito bem selecionada.
Impossível ficar indiferente ao seu final. Como um amigo me disse: “Esse é um dos filmes que daqui a alguns anos a gente vai querer matar o trabalho para assisti-lo na Sessão da Tarde”.
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004 - Michel Gondry)
Dentre os seis filmes listados, esse para mim é o melhor. Não poupo elogios para o grande roteirista Charlie Kaufman, para o diretor Michel Gondry e para os atores Jim Carrey e Kate Winslet.
O filme não trata apenas de uma história de amor – como em tantos outros filmes água com açúcar que vemos, e sim de uma história contada de uma maneira brilhante por Kaufman. Ilustra a dor de um relacionamento fracassado, e a chance que esse relacionamento tem em dar certo quando é dada uma segunda chance.
Inseguro, Joel Barish (Carrey) se desespera ao saber que sua ex-namorada Clementine Kruczynski (Winslet) fez um tratamento para esquecê-lo. Joel então se submete ao mesmo procedimento, mas a situação acaba se invertendo e, a cada etapa do “esquecimento”, Joel vê o quanto ainda ama Clem.
A idéia de apagar alguém na memória é inteligente e irreverente. Um filme que marcou muitas pessoas, por tratar da realidade de casais que sofrem ao terminar um namoro. Roteiro excelente, trilha sonora totalmente encaixada ao longo do drama, personagens excêntricos e carismáticos, um filme inigualável. O passeio que fazemos na mente de Joel nos faz ressaltar que só crescemos através de nossas experiências (boas e ruins), e tentar apagá-las é um preço alto que podemos pagar para evitar o sofrimento.
Surreal e envolvente. Se alguém já teve um relacionamento marcante em sua vida, não sairá ileso depois de ver “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”.
É por isso que certos filmes nos marcam para toda a vida, porque eles nos ajudam a refletir sobre cada momento que nos cercam e, como dizia em uma coluna que li em uma revista “Cinema é terapia ao preço de um ingresso”. Façam suas escolhas, e divirtam-se.
Marina Dutra.